Lígia, 24 anos. A pior hora é quando eu lembro que tenho que entrar aqui e atualizar esse número mais uma vez.

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*terça-feira, 7 de agosto de 2007

Ontem eu peguei ônibus com o Manoel Carlos. Verdade!

Tá, na verdade, é provável que fosse alguém bem parecido com ele. Mas como na minha vida reina o improvável, resolvi assumir que era ele. Por precaução. Melhor ficar bonitinha, né? Porque eu pensei... Ele mora no Rio e, certamente, não anda de busão, então, com certeza, deve estar... hmmm, sei lá, procurando personagens para sua novela... Vai saber... tem sempre um núcleo pobre, né?

Assim, na iminência de me tornar uma Helena, uma Clara ou algo do tipo, resolvi me comportar direitinho, o que significa, em termos práticos, deixar de lado quase todos os traços da minha personalidade habitual. Aliás, sorte que eu sou menina. Se fosse menino, o nome do meu personagem seria Fred, ou Viriato. Aliás, alguém já viu alguém chamado Viriato em algum lugar que não fosse uma novela do Manoel Carlos?

Então, na janela estava sentado o Maneco, só observando e tomando notas mentais para o novo folhetim das oito. Eu estava na cadeira do corredor. Daí entra um senhor e se posta bem do meu lado. Assim, quando você está sentado e fica alguém de pé, virado para você. Só que o senhor estava com a braguilha aberta. Eu então concentrei todo o meu pensamento positivo na hipótese daquilo não ser proposital. Afinal, em um ônibus lotado, a coisa que você menos quer é ter um tarado com a braguilha aberta apontada para você. Ele provavelmente vai ser Viriato, o desatento. (eu me lembro que em uma o Viriato era o impotente)

Atrás de mim, duas meninas conversavam sobre temas corriqueiros, como a solidão dos cachorros e a comunicação dos passarinhos, feita, é claro, por meio do silêncio (ao contrário de nós seres humanos, que preferimos a fala). De repente, elas começaram a falar sobre o último livro do Harry Potter, que tinham terminado de ler. E, numa dessas, uma delas fez um comentário sobre alguma coisa do final do livro.

Nisso, uma menina, que estava atrás delas (a duas cadeiras da minha), começou um escândalo. Ela estava lendo o livro, ainda, e ficou puta com a indiscrição das meninas, contando o final para quem quisesse ouvir. Foi briga mesmo, de falar alto e colocar o dedo na cara, mas eu, infelizmente, tive que descer do ônibus dois pontos depois, e não fiquei a tempo de ver o sangue e tudo mais. Não que eu não abriria mão de descer no meu ponto só pra ouvir a briga, mas é que o Mr. Braguilha realmente já estava me irritando.

Mas, se a novela fosse minha, e eu quase sugeri isso para o Maneco, aquelas que contaram o final do livro seriam as do mal. Afinal, poxa, isso não se faz. Eu não li nenhum dos Harry Potter (é, e eu também não gosto do Johnny Depp, tá, podem me cruxificar), mas se fosse Lost, por exemplo, eu também partia para a porrada.

Na hora de descer, me esqueci da minha promessa de bom comportamento, e derrubei três livros, minha piauí, uma blusa e uma moedinha de um real (que está perdida até agora), que se espalharam por todo o chão do ônibus.

A próxima novela das oito vai pegar fogo.
Pelo menos no que diz respeito ao núcleo pobre.


por Amelie às 22:11 | 6 comentários

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