Lígia, 24 anos. A pior hora é quando eu lembro que tenho que entrar aqui e atualizar esse número mais uma vez.

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*segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Quem diria que um dos finais de semana mais legais de todos começaria no sábado a noite e terminaria só na segunda-feira, apesar de todo o cansaço.


Se o começo era previsível, já que Pororoca Louca + Vingadoras + aden dos + Su e Leo = diversão garantida, o final foi bastante inusitado.


Finge que não foi por causa dos litros de bebida, da quase-pedofilia, das risadas e das fotos, das bundas, e do "você pode me deixar em casa?"


Como eu não queria deixar ninguém querido de fora, vai esta em que eu estou sozinha. Assim, além de não excluir ninguém, ainda deixo meus leitores embasbacados com a minha beleza marítima.

P.S. Este tópico foi editado 1.768 vezes, para que eu pudesse apagar todos os palavrões, pornografias e impropérios. Com certeza, sobraram alguns, mas vai ficar assim mesmo.



por Amelie às 20:53 | 7 comentários

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*sábado, 18 de agosto de 2007

Tauane tem onze anos, apesar de não aparentar mais de oito. Mora em Franco da Rocha, com a mãe e mais cinco irmãos. Tem nove, os outros "ficam na rua". A mãe está grávida de mais um que, se for menina, vai se chamar Vitória.

- Você é solteira?
- Eu sou.
- Minha tia também é. O marido dela morreu. Ele bebia muito e, um dia morreu depois de três dias doente.

O pai de Tauane morreu, assim como o marido da tia dela. Na casa dela, são onze quartos, que, pelo que ela conseguiu explicar, sua família divide com outras. No quarto dela, ficam a TV, o vídeo e o DVD. A geladeira, o fogão e a máquina de lavar ficam no quarto da mãe dela.

Ao contrário da casa ao lado, a casa da Tauane é super limpa. A mãe dela varre e passa pano todos os dias, sem falta. Já na casa vizinha, tem muito fumo, e a mulher nunca limpa. Um dia, acharam droga na casa ao lado, deu a maior confusão, e a mãe da Tauane quase foi presa.

- Uma vez, meu irmão estava andando de bicicleta na porta de casa, passou um ônibus e ele quase morreu atropelado.

De manhã, Tauane vai para a escola. Está na terceira série, atrasada porque repetiu a segunda. Ela diz que não gosta de ir para a escola.

- Às vezes, em um dia só, a prô passa quatro lousas cheias de coisa pra copiar, é muito chato!

A única coisa que vale a pena na escola são os amigos, que ela tem muitos. São cinco meninas e cinco meninos. Uma vez ou outra, eles fazem um piquenique com lanche, salgadinho e refri.

- Cada um leva quatro reais. Eu sou a única que nunca levo nada.

À tarde, a Tauane pega um ônibus e um trem e vai de Franco da Rocha até o centro de São Paulo (é longe pra caramba!), onde vende paçoquinha. São onze por um real. De vez em quando, a pessoa só dá o dinheiro, a acaba nem levando a paçoca. Ela trabalha com a mãe e mais três irmãos menores. Parte do dinheiro fica com a mãe, que deixa uma parte para ela.

Amanhã, Tauane diz que não vai trabalhar.

- Voi viajar com meu vô para a Bahia, ver a praia.

Disse que já viajou de avião, mas não parou de vomitar. Também já foi para a praia, mas se afogou no mar quatro vezes porque não sabe nadar.

Fomos para o McDonalds, ela, pela primeira vez. Preferiu pedir o lanche dela para viagem. Para beber, escolheu Fanta, que é o refrigerante que ela mais gosta. A lembrancinha, ela escolheu o macaco, mas o que ela queria mesmo não tinha mais. Voltamos para o ponto de ônibus em que nos conhecemos.

- Tchau! Bom descanso!
- Pra você também Tauane!


por Amelie às 17:09 | 11 comentários

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*domingo, 12 de agosto de 2007

Pequeno dicionário Veja de palavras ofensivas

Mafaldinha: jovem de classe média que frenquenta concertos do Teatro Mágico e se alimenta, basicamente, de petit gateau.

Esquerzóide: qualquer indivíduo que não pretenda votar em José Serra nas próximas eleições presidenciais.

Remelento: qualquer estudante da USP que não curse Economia, Engenharia, Direito ou Medicina. Masculino de 'mafaldinha'

Grupelho: Grupo de pessoas unidas por qualquer propósito que não sejam os movimentos
Cansei ou Fora Lula. Normalmente utilizado em conjunto com a palavra 'estudante'.


(colaboraram Diogo Mainardi e Reinaldo Azevedo)


por Amelie às 12:08 | 7 comentários

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*sexta-feira, 10 de agosto de 2007

A infanticida Marie Farrar

Bertold Brecht

1

Marie Farrar, nascida em abril, menor
De idade, raquítica, sem sinais, órfã
Até agora sem antecedentes, afirma
Ter matado uma criança, da seguinte maneira:
Diz que, com dois meses de gravidez
Visitou uma mulher num subsolo
E recebeu, para abortar, uma injeção
Que em nada adiantou, embora doesse.
Os senhores, por favor, não fiquem indignados.
Pois todos nós precisamos de ajuda, coitados.

2

Ela porém, diz, não deixou de pagar
O combinado, e passou a usar uma cinta
E bebeu álcool, colocou pimenta dentro
Mas só fez vomitar e expelir
Sua barriga aumentava a olhos vistos
E também doía, por exemplo, ao lavar pratos.
E ela mesma, diz, ainda não terminara de crescer.
Rezava à Virgem Maria, a esperança não perdia.
Os senhores, por favor, não fiquem indignados
Pois todos nós precisamos de ajuda, coitados.

3

Mas as rezas foram de pouca ajuda, ao que parece.
Havia pedido muito.
Com o corpo já maior
Desmaiava na Missa.
Várias vezes suou
Suor frio, ajoelhada diante do altar.
Mas manteve seu estado em segredo
Até a hora do nascimento.
Havia dado certo, pois ninguém acreditava
Que ela, tão pouco atraente, caísse em tentação.
Mas os senhores, por favor, não fiquem indignados
Pois todos nós precisamos de ajuda, coitados.

4

Nesse dia, diz ela, de manhã cedo
Ao lavar a escada, sentiu como se
Lhe arranhassem as entranhas. Estremeceu.
Conseguiu no entanto esconder a dor.
Durante o dia, pendurando a roupa lavada
Quebrou a cabeça pensando: percebeu angustiada
Que iria dar à luz, sentindo então
O coração pesado.
Era tarde quando se retirou.
Mas os senhores, por favor, não fiquem indignados
Pois todos nós precisamos de ajuda, coitados.

5

Mas foi chamada ainda uma vez, após se deitar:
Havia caído mais neve, ela teve que limpar.
Isso até a meia-noite. Foi um dia longo.
Somente de madrugada ela foi parir em paz.
E teve, como diz, um filho homem.
Um filho como tantos outros filhos.
Uma mãe como as outras ela não era, porém
E não podemos desprezá-la por isso.
Mas os senhores, por favor, não fiquem indignados.
Pois todos nós precisamos de ajuda, coitados.

6

Vamos deixá-la então acabar
De contar o que aconteceu ao filho (Diz que nada deseja esconder)
Para que se veja como sou eu, como e você.
Havia acabado de se deitar, diz, quando
Sentiu náuseas. Sozinha
Sem saber o que viria
Com esforço calou seus gritos.
E os senhores, por favor, não fiquem indignados
Pois todos precisamos de ajuda, coitados.

7

Com as últimas forças, diz ela
Pois seu quarto estava muito frio
Arrastou-se até o sanitário, e lá (já não sabe quando) deu à luz sem cerimônia
Lá pelo nascer do sol. Agora, diz ela
Estava inteiramente perturbada, e já com o corpo
Meio enrijecido, mal podia segurar a criança
Porque caía neve naquele sanitário dos serventes.
Os senhores, por favor, não fiquem indignados
Pois todos nós precisamos de ajuda, coitados.

8

Então, entre o quarto e o sanitário diz que
Até então não havia acontecido a criança começou
A chorar, o que a irritou tanto, diz, que
Com ambos os punhos, cegamente, sem parar
Bateu nela até que se calasse, diz ela.
Levou em seguida o corpo da criança
Para sua cama, pelo resto da noite
E de manhã escondeu-o na lavanderia.
Os senhores, por favor, não fiquem indignados
Pois todos nós precisamos de ajuda, coitados.

9

Marie Farrar, nascida em abril
Falecida na prisão de Meissen
Mãe solteira, condenada, pode lhes mostrar
A fragilidade de toda criatura.
Vocês
Que dão à luz entre lençóis limpos
E chamam de abençoada sua gravidez
Não amaldiçoem os fracos e rejeitados, pois
Se o seu pecado foi grave, o sofrimento é grande.
Por isso lhes peço que não fiquem indignados
Pois todos nós precisamos de ajuda, coitados.



por Amelie às 20:48 | 1 comentários

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*terça-feira, 7 de agosto de 2007

Ontem eu peguei ônibus com o Manoel Carlos. Verdade!

Tá, na verdade, é provável que fosse alguém bem parecido com ele. Mas como na minha vida reina o improvável, resolvi assumir que era ele. Por precaução. Melhor ficar bonitinha, né? Porque eu pensei... Ele mora no Rio e, certamente, não anda de busão, então, com certeza, deve estar... hmmm, sei lá, procurando personagens para sua novela... Vai saber... tem sempre um núcleo pobre, né?

Assim, na iminência de me tornar uma Helena, uma Clara ou algo do tipo, resolvi me comportar direitinho, o que significa, em termos práticos, deixar de lado quase todos os traços da minha personalidade habitual. Aliás, sorte que eu sou menina. Se fosse menino, o nome do meu personagem seria Fred, ou Viriato. Aliás, alguém já viu alguém chamado Viriato em algum lugar que não fosse uma novela do Manoel Carlos?

Então, na janela estava sentado o Maneco, só observando e tomando notas mentais para o novo folhetim das oito. Eu estava na cadeira do corredor. Daí entra um senhor e se posta bem do meu lado. Assim, quando você está sentado e fica alguém de pé, virado para você. Só que o senhor estava com a braguilha aberta. Eu então concentrei todo o meu pensamento positivo na hipótese daquilo não ser proposital. Afinal, em um ônibus lotado, a coisa que você menos quer é ter um tarado com a braguilha aberta apontada para você. Ele provavelmente vai ser Viriato, o desatento. (eu me lembro que em uma o Viriato era o impotente)

Atrás de mim, duas meninas conversavam sobre temas corriqueiros, como a solidão dos cachorros e a comunicação dos passarinhos, feita, é claro, por meio do silêncio (ao contrário de nós seres humanos, que preferimos a fala). De repente, elas começaram a falar sobre o último livro do Harry Potter, que tinham terminado de ler. E, numa dessas, uma delas fez um comentário sobre alguma coisa do final do livro.

Nisso, uma menina, que estava atrás delas (a duas cadeiras da minha), começou um escândalo. Ela estava lendo o livro, ainda, e ficou puta com a indiscrição das meninas, contando o final para quem quisesse ouvir. Foi briga mesmo, de falar alto e colocar o dedo na cara, mas eu, infelizmente, tive que descer do ônibus dois pontos depois, e não fiquei a tempo de ver o sangue e tudo mais. Não que eu não abriria mão de descer no meu ponto só pra ouvir a briga, mas é que o Mr. Braguilha realmente já estava me irritando.

Mas, se a novela fosse minha, e eu quase sugeri isso para o Maneco, aquelas que contaram o final do livro seriam as do mal. Afinal, poxa, isso não se faz. Eu não li nenhum dos Harry Potter (é, e eu também não gosto do Johnny Depp, tá, podem me cruxificar), mas se fosse Lost, por exemplo, eu também partia para a porrada.

Na hora de descer, me esqueci da minha promessa de bom comportamento, e derrubei três livros, minha piauí, uma blusa e uma moedinha de um real (que está perdida até agora), que se espalharam por todo o chão do ônibus.

A próxima novela das oito vai pegar fogo.
Pelo menos no que diz respeito ao núcleo pobre.


por Amelie às 22:11 | 6 comentários

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*quinta-feira, 2 de agosto de 2007

"Vou te passar as informações por e-mail, você pode me passar seu endereço?"
"Lígia"
"Lígia?"
"Isso, Lígia, com g de gato"
"G de gato ou de gata?"
"De gato."

Meu trabalho se torna mais apaixonante a cada dia.


por Amelie às 15:08 | 5 comentários

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