Lígia, 24 anos. A pior hora é quando eu lembro que tenho que entrar aqui e atualizar esse número mais uma vez.

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*quarta-feira, 24 de maio de 2006

Ontem eu presenciei uma cena que me deixou com um nó na garganta que até agora não se desfez: um senhorzinho japonês, aparentando ser bem velhinho, e carregando uma caixa cheia de miudezas se estatelou no chão quando estava descendo do ônibus. No mesmo segundo várias pessoas que estavam no ponto de ônibus se adiantaram para ajudá-lo a se levantar e a recolher suas coisas espalhadas pelo chão. O ônibus - eu estava dentro dele - parou no mesmo instante, e o motorista desceu. Sem nem mesmo perder tempo ajudando o japonezinho ou mesmo conferindo se ele estava bem ou não, uma moça praticamente se atirou sobre o motorista: "Isso não se faz. Você fez de propósito! Viu que o senhor ainda não tinha terminado de descer e mesmo assim acelerou!" Tomada de uma autoridade súbita, ordenou que o motorista parasse imediatamente o ônibus, caso contrário, seria denunciado por recusar-se a prestar socorro. Nesse ínterim, levarantaram o senhor, sentaram-no, e ligaram para o resgate, apesar de aparentemente, não ter ocorrido nada de grave. A mulher, alucinada, ainda gritava com o motorista, também com o cobrador e quem mais estivesse por perto.
Eu, que estava sentada na primeira cadeira depois da porta, fui a que melhor visão tive da queda: realmente, o desequilíbrio foi causado porque o motorista acelerou antes do que devia. Mas fiquei quieta. O que isso iria ajudar na resolução do caso? Certamente o condutor não agiu deliberadamente e, tendo em vista a urgência em tratar do velhinho, essa era uma questão que podia, por ora, ser deixada de lado. Mas a moça, indignada, estava realmente empenhada em crufificar o motorista, responsabilizando-o não só pelo ocorrido, mas por todas as grosserias e imprudências de todos os motoristas de ônibus do mundo. Eu já estava esperando a hora que ela iria dizer "É por essas e outras que o Brasil não vai pra frente." Mas não esperei para ver.


Esse caso me lembrou de uma vez que eu vi o Datena (ou um de seus congêneres) bradando indignado que, ao voltar para casa um trabalhador honesto (não sei como ele sabia que se tratava de um trabalhador honesto) fora atingido por um pneu que, ao estourar, se desprendeu da roda de um carro. Como podemos viver em um país em que estamos sujeitos a, em qualquer momento, sermos atingidos por um pneu enraivecido??? Onde é que estão as autoridades nessas horas???

Que bom seria se toda essa indignação fosse usada de maneira um pouquinho mais racional...


por Amelie às 15:03 | 2 comentários

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